
Koda Kumi (倖田來未, Quioto, 1982) é uma cantora japonesa cuja carreira ultrapassa a produção de mais de uma centena de singles e dezenas de álbuns. Sendo uma das representantes do pop japonês, ou j-pop, gênero que já negocia por si só sua identidade em meio à sua autoexportação, sua discografia se localiza em um entre-lugar que reverbera dialogismos identitários. Em outras palavras, manifesta poliglotismos culturais em sua música.
Esta pesquisa, ao se debruçar sobre estes recortes no trabalho da artista, seu processo de autorreferência e o espaço intersticial que ela ocupa entre uma identidade japonesa e uma identidade ocidentalizada, discute acerca dos mecanismos estruturantes deste discurso em uma perspectiva audiofonovisual: língua, imagem e música. Recorrendo ao método semiótico-textual, em especial à extração russa da semiótica conhecida como Semiótica da Cultura, o trajeto aloca a produção da cantora nas discussões sobre identidade no orientalismo reverso, autojaponização, retrossonorização e nacionalização de nacionalidades.
<aside> <img src="/icons/book-closed_gray.svg" alt="/icons/book-closed_gray.svg" width="40px" /> Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Japonesa (PPG-LLCJ)
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<aside> <img src="/icons/book-closed_gray.svg" alt="/icons/book-closed_gray.svg" width="40px" /> Departamento de Letras Orientais (DLO)
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<aside> <img src="/icons/library_gray.svg" alt="/icons/library_gray.svg" width="40px" /> Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH)
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<aside> <img src="/icons/library_gray.svg" alt="/icons/library_gray.svg" width="40px" /> Universidade de São Paulo
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Um dos principais desafios do trabalho que envolve música é lidar com o fato de que as páginas e as palavras escritas podem dizer muitas coisas, mas são, ao fim do dia, silenciosas. A análise musical, que pode versar sobre os arranjos, cifras, partituras ou tablaturas pode, de alguma forma, diminuir esta barreira. Todavia, tendo como escolha a prioridade do processo semiótico, bem como a ciência de que a análise musical também só se mostra eficaz apenas para uma parcela do público, optou-se pela leitura investigativa apoiada num formato clássico de ouvir música na escala subjetiva: a coletânea de diversas músicas em um só conjunto. A playlist Koda Kumi - Semiosfera Identitária, resgata, além dos principais sucessos da cantora, diversos exemplos que traçam, em ordem cronológica, uma confecção sonora de identidade ao longo de vários discos lançados desde o primeiro álbum affection (2002) e um de seus mais recentes trabalhos, heart (2022).
